Delegado de Gramado e mais dois agentes são indiciados por tortura

O delegado titular de Gramado e dois de seus agentes foram indiciados por suspeita de tortura de nove pessoas detidas durante uma operação policial no ano passado. A investigação da Corregedoria-geral da Polícia Civil (Cogepol) entregue ao Judiciário na semana passada apurou que a equipe Gustavo Barcellos teria agredido com choques elétricos um grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Os nomes dos agentes não foram divulgados pela polícia.
 
Conforme o inquérito, em 25 de novembro de 2011, após uma tarde em que foram cumpridos mandados de busca em apreensão em oito locais da zona rural e urbana de Gramado, suspeitos de integrarem quadrilha de traficantes e usuários de drogas teriam sido torturados para revelarem a localização dos líderes e das drogas. Segundo a investigação, as nove pessoas detidas teriam sido agredidas com o uso de uma pequena máquina choque. Algemados, eles teriam sido pressionados a entregarem informações que contribuiriam para o sucesso da operação policial.
 
O caso chegou até a Corregedoria-geral da Polícia Civil (Cogepol), por meio de denúncia ao Ministério Público (MP) feita pelo advogado de uma das pessoas que teriam sido torturadas. Na ocasião em que a operação foi deflagrada, o advogado teria ido até a delegacia para falar com o cliente e teve o contato impedido pelos policiais.
 
Na investigação da Cogepol foram encontrados laudos médicos de duas pessoas e, em um deles, foi comprovada as marcas de choque na pele. Com depoimentos das vítimas e de policiais envolvidos no caso, o delegado Paulo Rogério Grillo entregou, na semana passada, o inquérito onde indicia o delegado e dois agentes da DP de Gramado por tortura, abuso de autoridade e prevaricação. Uma cópia do documento também foi entregue ao Conselho Superior de Polícia.
 
 
Contraponto
 
O que diz o delegado Gustavo Barcellos:
 
Essa investigação é tendenciosa. Não houve nenhum excesso na operação policial, nenhuma agressão. Acompanhei toda a ação e não ocorreu nada disso. A nossa investigação ficou tão bem feita que os cinco líderes desse bando, presos depois, continuam recolhidos devido às prisões preventivas que solicitamos ao Judiciário. Meu advogado entrou com uma representação contra o delegado da Corregedoria (Paulo Grillo) por abuso de autoridade, pois ele não cerceou minha defesa, não permitindo que tivéssemos acesso ao inquérito.
 
Crédito: ClicRBS
 

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