Presídio em Gramado não é prioridade do governo gaúcho

Ao que tudo indica não será no governo Tarso Genro (PT) que a cidade de Gramado receberá investimentos para a construção de um presídio de pequeno porte. Em resposta ao ofício encaminhado pelo prefeito em exercício, na época, Luia Barbacovi, ao secretário da Segurança Pública do RS, Airton Michels, a SSP/RS comunicou o que a construção de uma casa prisional em Gramado não é prioridade desta gestão.

A justificativa do governo gaúcho, assinada pelo chefe de gabinete do secretário, Nereu Vargas de Castro, é de que o reduzido número de presos de Gramado, aliado ao fato de que existe a previsão de ampliação do Presídio Regional de Taquara, prometida desde maio de 2009, e a proximidade de Canela, onde também existe uma casa prisional, a construção de um presídio em Gramado não é prioridade. O presídio taquarense está recebendo reformas e ampliações em sua atual estrutura e o canelense está interditado judicialmente para presos de Gramado.


Força Tarefa busca solução para a falta de vagas

A comunidade gramadense participou de uma consulta, promovida pela Câmara de Vereadores, em que deveria opinar se era favorável ou não a construção de um presídio na cidade, em dezembro de 2010. Após um debate na Câmara de Vereadores sobre o tema, os munícipes foram às urnas e com mais de 85% de votos, o Sim venceu a “Decisão Popular”, nome dado à consulta na época.

Uma força tarefa formada por representantes dos três poderes públicos, com o reforço de delegados e oficiais da BM, conquistou importantes vitórias. Em especial, vagas em cadeias de outras comarcas, porém em número insuficiente para atender a demanda de criminosos na cidade. Com o pagamento de aluguel (compra de vagas), a força tarefa conquistou vagas nos presídios de São Francisco de Paula e Taquara. 

O que dizem as autoridades

O vice-prefeito, Luia Barbacovi, na época exercia a função de prefeito municipal, entende que em função de disposições como esta o problema prisional na região é culpa do governo gaúcho. “Eles informam que não é prioridade ou que não tem interesse aqui e que tem presídio regional em Taquara e Canela, isso demonstra o que está acontecendo hoje na região por falta de vagas é única e exclusivamente por culpa do Estado. O governo gaúcho não está vendo o caos que está acontecendo.” .

O delegado de polícia de Gramado, Gustavo Celiberto Barcellos, acredita que o problema não está no governo, mas sim no próprio judiciário que interditou o presídio de Canela para os presos de Gramado. “Eu recebi o ofício e analiso que a posição do governo está correta. Se existem problemas estruturais, como é o caso do Central, em Porto Alegre, e já existe a previsão de ampliação do Regional de Taquara, para os presos de Gramado, o presídio é o de Canela. Talvez, o secretário de segurança não tenha sido informado de que existe uma interdição judicial e que a mesma, quem sabe, poderia ser modificada em esferas maiores do poder judiciário.”.

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